Quinta, 17 Janeiro 2013

O Dia em Que Iroko Cresceu e Chegou Diante de Olofin, O Adahun, a Chamada dos Deuses!

Uma antiga história Nàgó, conta que Iroko era uma Divindade muito perigosa, que lutou muito, que sofreu, que se apaixonou e que em um certo momento resolveu deixar tudo para trás e ficou isolado no âmago de uma floresta africana, longe de tudo e todos. Naquela época, existam dois amigos, mas que começaram a bri...gar e tornaram-se inimigos após terem comido o fruto da árvore da discórdia. Aquela briga, revoltou o grande Olofin, que resolveu mandar um grande temporal. Durante esse temporal ecoava um som, fazendo com que todas as Divindades fossem para o Orùn, esse era o som do Adahun. Todas as Divindades, à exceção de Iroko, que estava no âmago da floresta, foram para o Orùn e os demais habitantes, acabaram por morrer, por conta do dilúvio. Òrìsà Nlá, o Santo dos Altos, foi até Olofin, dizendo que Iroko ainda estava na terra, pois ficou isolado no âmago da floresta. Olofin, então, mandou que chamasse Iroko por meio do som do Adahun e que não parassem até que ele fosse até o Orùn. Após algum tempo, Iroko escutou o som e começou a crescer até chegar aos pés de Olofin. Nada no mundo, nunca havia crescido tanto ao ponto de chegar ao Orun. Embora o próprio Olofin tenha mandado chamar Iroko ao Orùn, ele não ficou contente em ter sua intimidade invadida por Iroko, sendo que ele cresceu tantos que ficou com sua copa nos pés de Olofin. Em razão disso, Olofin quebrou os galhos da copa de Iroko, o cobrindo com uma grande núvem, dizendo que Iroko não poderia crescer mais do que aquilo, não permitindo assim, que ele novamente invadisse a sua privacidade. Olofin entregou os galhos que quebrou à Òrìsà Nlá, juntamente com um pedaço de Alá branco (que representava a nuvem branca), dizendo que, a partir daquele momento esse Opá e o Alá, seriam as suas grandes representações. Olofin disse à Iroko que, ele poderia sempre crescer e crescer, mas nunca ao ponto de chegar ao Orùn e que, a partir desse dia, um Alá deveria sempre estar envolto ao seu tronco, para que ele recordasse que a nuvem de Olofin o cobriu. Olofin ordenou que Iroko voltasse à terra, mas para isso, fez as raízes de Iroko voltar do Orùn para o Aye, razão pela qual falamos que Iroko nasce do céu para terra. Até hoje, no Terreiro de Òsùmàrè, entoa-se uma antiga cantiga que narra essa história e, por isso que, quando toca-se o Adahun, os Òrìsàs se apresentam. Que Òsùmàrè Aràká, continue olhando e abençoando todos. Terreiro de Òsùmàrè.
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