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13 de maio de 2014, vão retroceder nossos direitos?

Terça, 13 Maio 2014

13 de maio de 2014, vão retroceder nossos direitos?

No Brasil, o dia 13 de maio é uma data em que o povo negro reivindica a reconstrução da sua história de lutas na conquista da liberdade através da sua resistência, seus levantes, revoltas, sangue, suor e determinação. Pois não foi Princesa Isabel que garantiu a nossa liberdade, e sim a nossa luta.

Mas o 13 de maio este ano vai entrar para a história como uma tentativa de nos recolocar nos grilhões sobre as nossas contribuições no campo religioso, o 13 de maio em que um juiz federal quis através de uma atitude que no mínimo causa estranheza, nos ensinar o que é ou não é religião. Fato concreto é que graças aos Orixás, a sua atitude deixou perplexa toda a sociedade e até mesmo o judiciário.

Verdade, que sempre foi difícil ser de Candomblé no Brasil, porque sempre foi difícil se ter respeito por todos os elementos culturais negros na nossa sociedade que de direito é democrática, mas de fato é racista e tristemente intolerante com negros, mulheres, homossexuais, idosos, pessoas com deficiência e todos os espectros que compõe a teia social dos campo dos Direitos Humanos e no geral margeiam a linha da pobreza.

 A religião do Candomblé, é uma religião que visa o equilíbrio de todas as energias do universo, e para isto constitui-se em canal direto de ligação entre os homens, as forças da natureza e os demais seres vivos. É uma religião de vivência, de convívio e integração onde a oralidade e ancestralidade pesam bastante e refletem no compromisso de unidade, interrelação e respeito à diversidade da comunidade do Terreiro.

Aqui aprendemos a respeitar a todas as pessoas. Não desejamos converter ninguém e nem ser o Caminho e a Verdade, mas sobretudo a Vida em abundância, a vida que ultrapassa este mundo e jorra no campo metafísico para além do compreensível, mas táctil nos elementos que já foram elencados acima.

No candomblé aprendemos a respeitar e amar as pessoas independente das suas escolhas e decisões e observamos todas as agressões que o nosso povo tem sofrido e retribuímos com amor e respeito às diferenças.

A ação do Ministério Público Federal que solicitou a retirada de determinados vídeos desrespeitosos do YouTube e que gerou a grosseira e equivocada resposta do juiz federal nos traz entre outras coisas uma reflexão: a de que os religiosos de matrizes africanas tem que manter a sua fé e doutrina em foro íntimo, mas fazer cada vez mais política e ocupação dos espaços públicos, não para afrontar ou desrespeitar ninguém, mas para construir um país melhor e mais includente para todos, ou seja, uma verdadeira nação brasileira.

Para tal, convido os demais religiosos de matrizes africanas, para que juntos, possamos ir as ruas, participemos das manifestações, ocupemos espaços de debates, de conhecimento, de poder, pois é deste modo que iremos garantir a plenitude da nossa cidadania e garantia de direitos. Direitos estes que não podem retroceder jamais.

Babalorixá Pecê de Oxumarê.